Animais de gravata
A vida não pede licença
ela aparece como um soco nas costelas,
sem cerimônia,
deixando um rastro de saudades nas partes que antes sequer sabíamos sentir.
A beleza e a simpatia, cedo demais, revelam-se como o que são:
presentes, jamais direitos universais.
O mundo não é justo; é esteticamente seletivo.
Não sentir que se está em outro lugar,
ou que se deveria estar
tem se tornado um privilégio exótico, um devaneio.
No fundo, somos todos animais de gravata,
domesticados pelo tédio,
civilizados pela vergonha,
adestrados pelo medo de perder algo que nunca tivemos.
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