O preço do quase
Recebi medalhas que pesam mais no silêncio do que no peito.
Tapas nas costas, alguns sinceros, a maioria calculado.
Fui parabenizado, erguido, reconhecido.
Corri, corri tanto…
mas talvez não soubesse ao certo por que.
Hoje percebo: corri atrás do que queria,
e por isso falhei.
A pressa me arrancou da rota do sentir.
Me distanciei de tudo que era quente, pulsante, vivo.
Sangrei meu coração devagar, sem perceber.
Não vi quando o amor escorregou pelas frestas.
Perdi o olhar que me desejava sem esforço,
aquele que me via mesmo quando eu não me via.
Ganhei em tudo.
Mas como não fiz disso um propósito,
talvez tudo fosse nada.
Ou talvez eu seja só mais um que confundiu conquista com completude.
E agora, aqui, não exatamente onde sonhei,
mas também não distante demais,
escrevo sem saber se falo comigo ou com ninguém.
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